Casa de praia

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Coragem e a sua alegria em viver numa casa de praia

Cquote1.png Quer dizer que agora as favelas ficam a beira da praia? Cquote2.png
Carla Perez... do mundo do contra sobre Casa de Praia
Cquote1.png Isto, infelizmente ecziste. Cquote2.png
Padre Quevedo sobre Casa de Praia
Cquote1.png Vai pra puta que te pariu, coisa de pobre! Cquote2.png
Dercy Gonçalves sobre Casa de Praia
Cquote1.png Passo minhas férias lá! Cquote2.png
Jocilene Pinto Dias da Silva, moradora de Itaquera, Zona leste de São Paulo sobre Casa de Praia
Cquote1.png Eu também!!! Cquote2.png
Uóshitu Fernandes Oliveira de Melo dos Santos da Silva, morador de Madureira, Subúrbio do Rio de Janeiro sobre Casa de Praia

Exemplo de uma Casa de Praia

Casa de Praia é uma instalação de leizer lazer, muito procurada por pobres nas férias (que são o ano todo) principalmente porque eles gostam de sofrer.

Os locais[editar]

A casa de praia típica costuma ser aquele cubículo de quarenta metros quadrados comprada 100% financiada pela Caixa Econômica Federal em 360 prestações de 300 reais, rachadas entre o pai, a mãe, a tia, o tio, a avó e o vizinho. Quando a casa de praia é de um paulistano pobre, ela na maioria das vezes fica em Praia Grande, e ás vezes em Santos, Guarujá ou Bertioga.Quando é de um carioca pobre, ela costuma se localizar em Itaipuaçu, Maricá, Saquarema, Bacaxá, Araruama, São Pedro da Aldeia ou Iguaba. É nesses dois estados que a cultura da casa de praia está mais enraizada.

Quando ela é usada[editar]

Qualquer fim de semana um pouco mais prolongado (tipo um feriado na sexta mais o fim de semana) já é um bom motivo para os pobres pegarem o fusca e encararem 2 horas de estrada até chegar lá. Mas sem dúvidas as ocasiões maiores são o Carnaval e o Ano Novo, quando milhares de pobres lotam as estradas, pegando cerca de 10 horas de engarrafamento (isso se não tiver algum acidente no caminho ou um repentino temporal de verão encharcar a pista toda e fuder ainda mais o trânsito).

Preparativos[editar]

O pobre clássico costuma se preparar alguns dias de antecedência para irem para a casa de praia. Checam a previsão do tempo no jornal, as moças separam aquele biquíni mofado que não usam desde o último Carnaval, os rapazes separam aquele calção comprado por 1,99 no camelô, e "as criança tudo fica ansiosa pra estrear o novo conjunto de baldinhos e pás de areia que a tia-avó deu de presente no Natal passado".A mãe prepara aquele frango com farofa e maionese para a família comer nos 2 primeiros dias que chegarem na casa de praia, e o pai leva o "possante" para calibrar os pneus, encher o tanque de gasolina(adulterada),trocar o óleo e levar na "ducha rápida do posto do Zezé" para o fuscão ficar limpinho para viajar, mesmo que na estrada ele fique barro puro. Um dia antes, a família toda faz as malas, e o que não der no porta mala do possante vai amarrado no teto do carro mesmo (cenas de colchonetes amarrados no teto de fuscas nas estradas em feriados evidenciam a ida dos pobres para suas casas de praia).

Os dias na casa de praia[editar]

Num feriado clássico, o Carnaval por exemplo, após as 10 horas de engarrafamento na estrada, eis que o pobre enfim chega na casa de praia já no fim da tarde do sábado de Carnaval. Após a mãe, o pai, os 6 filhos, os 5 amiguinhos dos filhos, as 5 mães dos amiguinhos do filho, os 5 pais dos amiguinhos do filhos, a 3 tias, os 4 tios, as 2 avós, o avô, a bisavó, o cunhado, a cunhada, os 4 irmãos, as 5 irmãs, as 3 tias avós, os 2 tios avôs, os 6 primos, as 4 primas, os 3 vizinhos, as 4 vizinhas, o João da padaria, o Zé do Açougue, a Maria da Quitanda, os 6 cachorros, 4 gatos, 2 papagaios, eu e 15 periquitos descerem do carro, o povão todo vai arrumar a mala. A mãe vai limpar a casa pra tirar o cheiro de mofo, o pai vai ligar o som e acender o carvão pro churrasco e todo o resto fica sem fazer porra nenhuma. Servido o "almoço"(que é uma mistura de churrasquinho de gato com frango assado, maionese vencida e farofa), já ás seis da tarde, o pobre está tão cansado das 10 horas de viagem que na maioria das vezes toma e banho e DORME. Os que não fazem isso passam a noite jogando algum jogo tosco (tipo damas, pega varetas) ou vendo o desfile das escolas de samba de São Paulo (o que acaba fazendo qualquer um dormir rapidamente).No domingo, os pobres acordam cedo e vão tomando café da manhã no caminho para a praia. Lá passam o resto das horas de sol do domingo tostando ou nadando (e esbarrando com outros pobres sempre que sem movem na praia tamanha a multidão) à base de biscoitos Fofura e suco de caju. Quando o sol está se pondo, enfim o pobre sai da praia e vai fazer compras em algum mercado de quinta na cidade em que está (o estoque que trouxeram foi só para o primeiro dia), sempre passando cerca de 2 horas na fila do pão, 1 na fila da carne e mais 3 na fila do caixa. Ao chegar em casa, já bem de noite, os jovens e as crianças pobres da família vão tomar banho e se arrumar para ir se sacudir no entorno do palco/Trio Elétrico que montam à noite na praça central da cidade. Normalmente passam a noite inteira, até o final da madrugada no ritual de sacrifício baile de Carvanal, bebendo escondido, comendo cachorro quente estragado, beijando qualquer favelado(a) que der mole, sacudindo o traseiro ao som de axé, samba, e principalmente funk, fugindo e se escondendo das pancadarias que ocorrem na multidão e se jogando no chão quando sai tiro em alguma dessas pancadarias. Os adultos ficam em casa vendo o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, com a mamãe dando safanões no papai que não para de babar no bundão da passista gostosa que está sendo focalizada. Na segunda feira, tudo que acontece no domingo se repete, inclusive a demorada ida ao supermercado, pois sempre os pobres esqueceram de comprar alguma coisa ou algo acabou rápido demais. Na terça feira, tudo se repete também, com a exceção que a garotada volta mais cedo do ritual de sacrifício baile de Carnaval, para ajudar os adultos a ir arrumando as coisas para a volta pra casa.

A volta pra casa[editar]

Como diz o ditado, alegria de pobre dura pouco. Enfim chega a famigerada quarta feira de cinzas. A família pobre levanta cedo (normalmente antes das seis da manhã, "por que o pai tem de trabalhar e estar no serviço mei dia""), mesmo tendo ido dormir muito tarde na terça feira. Começa a arrumação das malas no carro, amarração dos colchonetes no teto do carro, e após o café da manhã, os pobres se acomodam(acomodam?) no possante e seguem viagem para a volta pra casa. Após longas horas no trânsito, os pobres chegam na casa de vila em que moram em Itaquera ou Madureira, o pai vai(atrasado) direto para o serviço e cabe para o resto da família a desarrumação das malas e colocar tudo no lugar de novo. Se forem cariocas, após essa tarefa os pobres se reúnem no sofá da sala para ver a apuração das escolas de samba, se forem paulistanos, como já viram na terça feira a apuração das escolas de São Paulo, vão se preparar para a quinta feira, por que é só no Rio de Janeiro que enforcam a quinta e a sexta feira depois da quarta feira de cinzas! Seja carioca ou paulista, o pobre sempre fica feliz, queimado bronzeado e com alguma virose ou caganeira disenteria depois de passar dias na casa de praia, e já começa a convidar os "pobre tudo" pro próximo feriadão!

Ver também[editar]