Deslivros:Pedagogia do Medo

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Os métodos desse homem não estão com nada. O negócio é meter medo!

A educação no Século XXI ganha novos rumos. No entanto, velhas práticas renovam-se e ainda são úteis e plenamente aplicáveis ao contexto atual. Saulo Freire, irmão bastardo de Paulo Freire, tornou-se referência em educação pós-moderna, ao desenvolver diversos estudos nas universidades de Teerã e Alegrete. Aqui faremos uma análise de sua principal contribuição à prática pedagógica moderna, a Pedagogia do Medo. Nessa teoria, o melhor modo de aprender é através da pressão. Há quem diga que oferecer estímulos positivos ao aluno é eficiente para o seu aprendizado. Pura lorota, pois é de conhecimento público que é muito mais eficiente ameaçar, chantagear e pressionar. A seguir, veremos as principais bases desse método. E ai de você que não aprenda, hein!

Primeiro Passo: O professor é foda[editar]

Na sala de aula, o mestre, o centro, a luz-guia que emana o saber... é o professor. Só de ter esse título, ele(a) fica mais bonito(a), inteligente e, no caso dos homens, com o pênis uns dez centímetros maior. Toda a autoridade cabe a ele, afinal, ele gastou anos aguentando os professores da Universidade, agora ele pode descontar isso nas suas turmas. Assim sendo, a palavra do docente é a Lei.

Mesmo que o conteúdo a ser trabalhado não seja exatamente a especialidade do professor, ele deve se comportar impreterivelmente como uma sumidade no assunto. Ao aluno, cabe reconhecer o quanto ele é impressionantemente bom, e, consequentemente, obedecê-lo cegamente. Nesse momento, o autor desse texto reserva-se ao direito de frisar que ele gosta apaixonadamente de advérbios de modo, e seguirá utilizando ao longo do texto. Ao caro aluno leitor, cabe aceitar e prosseguir a leitura.

Segundo Passo: Assuste[editar]

A turma está inquieta, ficam atirando bolinhas de papel (isso se o José Serra não estiver na sala), gritando e teimando em não cumprir as atividades que são propostas. O que fazer? Ameace! Diga que, se eles não pararem ou não fizerem o que você está pedindo (mandando, quer dizer), eles serão expulsos da sala de aula, irão para o Departamento Pedagógico, repetirão de ano, perderão o pinto, virarão torcedores do Grêmio Prudente ou, muito pior, assumirão o cargo de ministro da economia do Zimbábue.

Tudo, absolutamente tudo é válido para garantir a obediência do aluno. A seguir, apresentaremos as principais medidas a serem tomadas.

Apele para o lado emocional[editar]

A educação moderna exige novos métodos.

Filhos geralmente respeitam os pais, ou pelo menos acabam respeitando, seja por amor ou à base de paulada. O professor pode se aproveitar disso. Imagine a seguinte situação: Joãozinho está conversando insistentemente, olha para todos os lados, menos para o quadro, além de portar uma Playboy em meio ao livro de Geografia. Não está dando a mínima para o tectonismo das placas... O professor (ou professora... Esse método é profundamente insensível e desrespeitoso em relação à dignidade da pessoa humana, mas nem por isso é machista. Fica subentendido que ele também se aplica à professoras fêmeas do sexo feminino, porque estou com preguiça de estar explicitando isso à toda hora) deve, calmamente, sem jamais perder a autoridade, falar ao pé do ouvido do pestinha: "Cala a boca e presta atenção, ou senão eu chamo o teu pai. Fiquei sabendo que ele já foi preso por agressão... Pensa no duplo problema: eu conto pra ele, você apanha, e ele vai preso de novo!". É tiro e queda, rapidamente o silêncio e a ordem na sala de aula voltaram a imperar.

Mantenha-se firme[editar]

Se, ao aplicar o passo anterior, o aluno chorou, gritou e fez cocô nas calças, não dê bola, mantenha-se convicto na chantagem. Mande-o parar com a frescura e prestar atenção na aula. E ponto. Se ele resolver pensar que é gente, e quiser lhe devolver a ameaça, dizendo que vai chamar os pais, vá calmamente até a sua pasta, pegue o caderno de chamada, coloque um monte de F nos espaços correspondentes às faltas, coloque várias notas baixas e diga: "chame se você tiver coragem". É tiro e queda. Queda de pressão do aluno, dadas as proporções do susto.

Provas e trabalhos: Um mecanismo eficaz de controle[editar]

Funciona!

A turma precisa saber que jamais pode pensar que venceu o professor. Todos querem passar de ano, e quem preenche o Diário de Classe é ele. Então, ele deve ser usado como um talismã. Se falta colaboração por parte dos alunos, faltará nota no final do semestre, simples! Provas, testes e trabalhos, em tese, deveriam ser uma forma de verificar o aprendizado, mas se aquele bando de pirralhos não deixou o professor em paz nem um minuto, vai ter de sofrer as consequências, e responder perguntas extremamente cabeludas, que nem um pós-doutor na área seria capaz de acertar.

Se determinado aluno, ao final do ano, precisa de 0,1 pontos para passar na matéria, existem diferentes critérios para ajudá-lo ou não. Se foi um bom aluno ao longo do ano, cumpriu todos os deveres e nunca incomodou, mesmo sendo burrinho, pode ser aprovado. Se foi um péssimo aluno, que ousava desafiar a onipotência do docente, certamente não vai ganhar nota, e possivelmente o professor errou na manipulação escrita do Diário, deixando tal aluno com a ilusão de que poderia passar. Se for uma aluna gostosa, as coisas mudam de figura, e dá para se pensar no caso com mais carinho.

Seja extremamente rigoroso na avaliação, ainda mais de trabalhos. Proiba a utilização da internet para qualquer pesquisa, e exija no mínimo a citação de dez obras, duas delas em idioma estrangeiro. Corrija cada vírgula, e verifique com uma régua se o espaçamento utilizado está correto. Isso ajudará na formação do aluno? Sei lá, mas pelo menos justifica o salário que o docente recebe.

Terceiro Passo: Puna![editar]

Se a simples ameaça não tem sido eficaz, parta para a ingnorância. Utilize a maravilhosa fórmula mágica da aprendizagem: o estímulo-punição.

Estímulo-punição[editar]

Certa vez, Burrhus Frederic Skinner, um psicopedagogo americano que teve ideias contrárias à convicta perversão de Freud, como a Caixa de Skinner, afirmava que o aprendizado pode ser estimulado através do oferecimento de recompensas caso a atividade proposta seja realizada pelo aluno, o que é explicado por sua teoria, o Behaviorismo. De certa forma, isso é tratá-lo como se ele fosse um cachorrinho, que ganha biscoitos caninos ao pegar o jornal. Saulo Freire acha tudo isso uma bobagem, e propõe exatamente o inverso. Prefere tratar o estudante como se fosse um cavalo, que leva uma açoitada quando teima em não andar.

Turmas inquietas e barulhentas como essa? Nunca mais!

Logicamente, é burrice pregar a violência física, isso já é uma técnica muito ultrapassada. Há formas de ser mais impactante do que uma paulada com a palmatória. Além do mais, você não quer ser preso por bater em um dos seus ranhentinhos, não é?

Aqui, utilizaremos algumas das coisas que foram abordadas nos tópicos anteriores (se você não entendeu, leia de novo antes que seu pai venha conversar sobre a sua burrice e seu desempenho escolar.

O aluno (utiizamos esse termo porque não tivemos nenhuma preocupação semântica ao compor esse texto), para ter assegurado o seu aprendizado, precisa ser estimulado. Delicadeza, amor e paciência, nesse contexto, podem acomodá-lo e fazer com que ele sinta-se querido e, consequentemente, tenha preguiça de aprender do jeito que o professor acha correto. O que o estudante precisa, de qualquer nível de ensino, até mesmo na faculdade, é de ameaças. Então, o esquema se articula da seguinte forma:

  1. O professor apresenta a proposta de aula;
  2. O aluno presta atenção e anota o que for pertinente;
  3. O professor apresenta as condições de realização da atividade: "Ou você faz, ou nunca será aprovado".
  4. O aluno fica com medo, se borra todo, mas realiza a atividade.
  5. O professor corrige, enche de defeitos, e ameaça novamente: "Ou você melhora, ou vou chamar os seus pais".
  6. O aluno, com o intuito de preservar a sua integridade física e moral, aprende!

Aplicando-se esse esquema diariamente, quantas vezes for necessário (seja para ensinar álgebra ou fazer com que o lixo seja colocado na lixeira), certamente o aluno aprenderá alguma coisa. Ou ficará com ódio, furará os pneus do carro do professor e o desenhará de forma caricaturada. Isso até que o mestre descubra e o ciclo se reinicie.

Quarto Passo: A defesa[editar]

Fique calmo! Se esse aí conseguiu se livrar, não é você que vai ser preso por maltratar uns estudantezinhos.

Hoje em dia é muito forte essa coisa de justiça, de direitos humanos, processos e essa baboseira toda. Fazer o que, vivemos em uma democracia, seja lá o que isso for. Então, algum aluno metido à besta pode querer reclamar de você, seja dentro da instituição de ensino ou em outras instâncias, como secretarias de educação, Ministério da Educação, INEP, seção de cartas da Folha de São Paulo, na fila do banco ou no puteiro. Não é preciso temer, pois também há métodos caso alguma coisa dê merda.

Dissimule[editar]

Em uma sala de aula temos um professor e trinta, quarenta alunos. Se alguma coisa acontecer e você for denunciado, será a sua palavra contra um bando de estudantes ranhentos. Fuja das perguntas que lhe forem formuladas, diga que apenas tentou ajudar a turma e, caso surja algum aluno em defesa do acusador, diga que ambos tem um caso, que inclusive já os pegou juntos no banheiro da escola. Pronto, a situação estará invertida!

Apele para o lado emocional[editar]

Chorar, reclamar, ... O professor pode alegar que, se agiu de forma equivocada e violenta, foi por causa da enorme pressão dos alunos, que complicam as aulas, não o deixam descansar e ainda não prestam atenção em aula. Enquanto ele está lá, batalhando para levar comida para os filhos, aqueles adolescentes espinhentos só querem explorá-lo. Além de se livrar da punição, ainda dá pra conseguir um aumento!

Fale a verdade[editar]

Se os outros métodos falharem, não tem jeito: o professor está na merda. Não há motivo para pânico: existem presídios com escolas. Oferecendo-se para dar aulas, é possível reduzir a pena!

Conclusão[editar]

Educar é uma arte. O judô e o Karatê também. Então, não há nada de errado em misturar as duas coisas: educar brigando. Os passos acima apresentados não garantem uma boa relação entre professor e aluno, muito menos que exista um aprendizado realmente efetivo, mas é muito mais fácil para o professor, que torna-se uma entidade superior, megafodástica e que sempre estará com a situação sob controle.


TODA SEMELHANÇA COM A REALIDADE É MERA COINCIDÊNCIA. AFINAL, O BRASIL É O PAÍS DO FUTURO.