Inferno - Canto I

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Dante Alighieri2.jpg

Esta Despoesia pertence ao Inferno de Dante. O seu Inferno livre de conteúdo.



1____ A meio caminhar de nossa vida
(velho) encontrei-me em selva escura
de minha carreira falida.

4____ Ah, mosquitos que me deixam sua picadura
nessa selva selvagem, rude, um porre
que volve medo de minha broxura

7____ de tão amarga, pouco mais lhe morre,
mas, pra tratar do bem que enfim lá achei,
do qual nem o Chapolin me socorre.

10___ Como lá fui parar dizer não sei;
tão noiado de dorgas me encontrava,
que a verdadeira via abandonei.

13___ Mas quando ao pé de um morro eu já chegava,
Observei uma saraivada a frente,
Daqueles tiros o medo me cerrava,

16___ olhei para o alto e vi a sua vertente
era a favela da Rocinha
que certo guia por toda estrada a gente.

19___ Tornou-se a minha preocupação o trombadinha
que no lado da cintura guardara
a pavorosa arma que roubou a velhinha.

22___ E como aquele que foge da vara
poderia tomar um mar de bebida,
para disfarçar a visão da demoníaca capivara,

25___ minha mente, nem bem de lá fugida,
voltou-se a remirar o horrendo palhaço
o maior susto de minha vida.

28___ Após pousar um pouco o corpo bagaço,
me encaminhei, pela encosta deserta,
co' o pé firme, cair no abismo seria um fracasso

31___ E eis que, ao encetar a rampa certa,
uma onça ligeira disparou meu coração,
fera que da masculinidade me liberta

34___ saltando à minha frente como um furacão,
tanto me obstava a via do meu destino
que entoei em agudo som: "Aaaaaaaaaawn!".

37___ Amanhecia o céu cristalino
a qual apreciava como uma gazela
visão esta, que tolhe meu masculino.

40___ Minha prima moveu todas as coisas dela.
Pra não temer de seu pertence
lhe roubarem pela janela

43___ por onde entrou aquele cearense
Pior que isto foi o medo que meu deu
a vista de um leão circense

46___ que de mim acreditava ser um alimento seu
co' a fronte erguida e com fome raivosa,
queria me transformar em peça de museu

49___ e de uma loba, de cobiça ansiosa,
em seu torpe semblante, parecia mamada,
manguaça que a muita gente a vida fez penosa.

52___ Correr com esta pança tão pesada,
criou-me um pavor manante da vista
dos botecos da coxinha empanada.

55___ Qual pessoa que a picanha conquista -
e o tempo de se fuder vem alcançá-la -
ao descobrir que se trata de maminha realista,

58___ tal fez-me a fera que não há aplacá-la;
e, pouco a pouco pra trás impelido,
eu regredia pra lá onde o peido exala.

61___ Quando eu já para o abismo descaído
tombava, à minha frente um fantasma incerto
que por longo silêncio emudecido,

64___ mais um moribundo eu havia descoberto?
"Dê-me esmolas", gritei-lhe então,
"Sombra ou homem, não chegue perto".

67___ E ele me respondeu: "Homem já não,
homem eu fui, hoje eu sou Virgínia nega!
mantuamos ambos, minha geração.

70___ Nasci sub Julio, sempre quis ser grega
vivi em Roma, namorei o Augusto,
por isso, solte suas plumas e sossega

73___ Poeteiro fui, cantei aquele robusto
filho de Anquise, de Troia a volver,
para o meu triste frusto.

76___ Mas tu, por que inda tornas a meter?
Por que não protege o precioso falo,
princípio e causa de todo prazer?"

79___ "És tu aquele Virgílio, aquele ralo
do qual sou tiete desde criancinha",
respondi com dor no calo

82___ "Ó poeta, vamos fazer uma vaquinha
reunir a grana com todo ardor
e assim podermos comprar uma caipirinha

85___ Tu és meu mestre, tu és meu autor,
quero autógrafo, sou o maior paga-pau
do belo estilo que me deu louvor.

88___ Mas vê essa besta da minha estética nasal
Dá-me, meu sábio, socorro e coragem
do Brad Pitt quero um nariz igual."

91___ "Só do Photoshop uma montagem.",
tornou-me ele ao me ver lacrimejando,
"este teu nariz foi uma sacanagem,

94___ esta penca, da qual estás clamando,
que só atrai mesmo os viadinhos,
cujo fim culmina os matando.

97___ Ó perversos lobinhos
fome que nada pode saciá-la;
salames, queijos e vinhos

100__ Com animais diversos se acasala
nessa zoofilia desenfreada
até a morte dura destiná-la.

103__ Este para o Paraíso terá entrada murada
pois só sageza, amor e virtude;
como velcro e velcro livra o homem da burrada.

106__ Dará à infeliz Itália a plenitude
após campeões, serem humilhados
em eliminação para a Eslováquia, que solitude.

109__ Tamanha vergonha de picada em picada
Obrigar-lo-ão a retornar pro Inferno
donde pune-se a goianada.

112__ Portanto, pra teu bem, penso e externo
vá pro Inferno! E eu te irei guiando.
Levar-te-ei para lugar eterno

115__ de trouxas que ouvirás bradando,
furries, playssons, malouqueiros, dolentes,
uma segunda morte em vão rogando;

118__ e outros verás também que estão contentes
ou não, na esperança de passar de fase,
no purgatório que mais parecem videogames.

121__ Ao subir lá em cima não se atrase
alma terás mais digna do que eu:
e quando encontrar com sua donzela, arrase;

124__ que o espaguete que reina lá no Céu,
porque para a sua lei eu fui filho da puta herege,
não me batizei e fui recusado no reino Seu.

127__ Em toda parte impera e lá ele rege,
lá é sua cidade e está seu alto foro.
Feliz aquele que ali ele elege!"

130__ E eu, a ele: "Poeteiro, eu te imploro,
por esse Deus que tu não conheceste,
nem os alienígenas que sua existência ignoro,

133__ que me conduzas lá aonde tu disseste.
A porta de São Pedro então verei
aquelas piadinhas de português mortos que me descreveste".

136__ Moveu-se a bunda, e eu o acompanhei.

INFERNO »

I

Ver também[editar]

Análise deste Canto