Girinada

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Cquote1.png Eu não sabia de nada! Cquote2.png
Luiz inácio Lula da Silva

Vamos as explicações... no dicionário do famoso linguista macauense (da ilha de macao, na costa da china, antiga possessão portuguesa) Lee-Botelho Avar-ha, temos o verbete do termo "girinada", muito usado na região, que diz:

Girinada s.f. ETIM: sec XII. gr.: "gîris" (valor, dinheiro, pecunia) + "nada". 1 Ato ou efeito de girinar. Exagero, Hiperbole linguística. Nenhum eleitor se convence com a girinada desse candidato. 2 Porcelana chinesa do século XIIII com figuras geométricas e simétricas, simulando rombóides polidimensionais projetados num plano de Mercator v. 3 Coleção de girinos. Mãe, venha ver a girinada que deu na agua da chuva.
Um exemplo de girinada

Como podem ver o verbete que nos interessa aqui é o de número 2. Nesse verbete vemos claramente que a Girinada é um recurso de linguagem bastante antigo, conhecido na língua portuguesa desde o século XIII. Aparentemente os primeiros a usarem as girinadas como recurso retórico foram os gregos atenienses da época de Ariosvaldo e Peristaltos, ambos filósofos da escola Cética ateniense.

Durante os séculos, o uso da girinada se tornou um recurso difundido entre os retóricos antigos e clássicos, culminando com a famosa girinada de César (o Júlio mesmo) durante o discurso de acusação contra Cícero:

   Cognoscens quondam in Augusti Foro,
   ictusque nidore prandii quod in
   proxima Martis aede Saliis apparaatur,
   deserto tribunali acendit ad sacerdotes,
   unaque discubuit.

Que traduzido pra nossa língua pátria quer dizer: "Eu vi com meus próprios olhos os Porta-Aviões construídos de gelo e serragem e, por Marte e a deusa Salis, os aviões usavam as próprias ferpas da serragem pra frearem mais depressa".

César este foi um mestre das Girinadas e ficou conhecido em todo seu tempo e a sua gens (uma espécie de clã que eles usavam pra determinar a origem nobre) trocou de nome para gens Girina (ate' sua morte apenas, porque depois Augusto fez questão de restaurar lhe o nome de gens Júlia).

Augusto também mais sóbrio e conservador no uso do latim, proibiu num mesmo ato o uso da toga de cores escuras no circo máximo (tradicionalmente as togas são brancas) e também o uso de girinadas em discursos no senado. Posteriormente Marco Aurélio proibiu o uso de girinadas também no fórum, em discursos públicos, o que relegou nosso objeto de estudo a um lugar secundário durante muitos séculos.

Durante os séculos 19 e 20 diversos autores recuperaram a girinada na literatura portuguesa, como os ilusionistas lusitanos do final do século XIX (Antonio Máximo, Beatriz Alvarenga, etc). Estes seguindo o exemplo dos impressionistas Russo-alemães da escola de bakal-Haus. Durante as décadas de 30 e 60 a literatura brasileira adotou esse tipo de figura de linguagem constantemente nos autores de origem populista (ver AI-5, de Castelo Branco).

Hoje em dia a girinada é tão comum no nosso dia a dia que não conseguimos mais distinguir as boas girinadas de uma mentirinha qualquer, ou até mesmo de uma verdade incontestável. Paulo Coelho, por exemplo, abusa tanto dessa forma literária que seus livros lhe valeram uma cadeira na ABL.

Assim, o termo "girinada" que se origina em tempos distantes foi resgatado nos dias de hoje para essa tão formosa arte que é a arte de girinar. Espero que de agora em diante, todos vocês ao se depararem com uma girinada concordarão com o antigo provérbio chinês: Cquote1.png Uma boa girinada vale mais que uma boa verdade! Cquote2.png
Provérbio chinês