Obrigado por comprar nosso produto! Agora, foda-se.

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Sua compra significa muito para nós. Nós sabemos que você tem várias outras opções de escolha para comprar inutilidades. Agora, vá tomar no cu, otário.
Obrigado por comprar nosso produto! Agora, foda-se. é um princípio empresarial. Na verdade, é a base de toda a filosofia corporativa - um princípio mais poderoso do que "Volte sempre", "Ligue djá" e "24 vezes sem juros" juntos.

Este princípio teve início no século XVIII, quando a Companhia Britânica das Índias Ocidentais agradeceu a seus clientes pela seda, pelos corantes e pelo chá dando-lhes em troca o vício por ópio e a sífilis. Então, ao voltar para a Índia, eles poderiam dizer àqueles caras no cais: Cquote1.png Vossas mercês se copularam! Cquote2.png - a versão de 1700 e lá vai cacetada para Cquote1.png Há, há! Se fuderam! Cquote2.png.

Mas eram tempos mais simples. Quando esse princípio chegou ao Brasil-sil-sil no início do século XX, ganhou novas dimensões.

Tabela de conteúdo

[editar] Primeiras aparições deste princípio no Brasil

No início, empresas americanas, como a Ford, decidiram que a melhor forma de dizer "Obrigado por comprar nosso produto! Agora, foda-se" para seus ilustríssimos clientes era exterminá-los. Eles consideraram mandar esquadrões da morte para as casas dos compradores, mas foram informados por seus advogados que isso poderia ser interpretado pelo governo como assassinato e eles acabariam indo pro pau do Arara. Então, no lugar, após décadas de pesquisa, eles lançaram um produto marcante em 1970: o Ford Pinto, um carro projetado para explodir do nada sem razão alguma.

Infelizmente, essa estratégia fracassou. Os consumidores não apenas pararam de comprar o Pinto, como também processaram a Ford em trocentos milhões de reais em barras de ouro que valem mais do que dinheiro. Era como se a Ford tivesse dito Cquote1.png Foda-se Cquote2.png e os consumidores tivessem respondido Cquote1.png Fodam-se vocês, não nós Cquote2.png.

[editar] Mais exemplos modernos de como se dizer "obrigado" e "foda-se" ao mesmo tempo para os clientes

Felizmente para todo mundo, as empresas atuais aprenderam com os erros da Ford. Hoja, elas conseguem dizer "foda-se" de formas tão engenhosas que não podemos fazer qualquer coisa a não ser se curvar e aceitar.

[editar] Etiquetas adesivas

Aproveite sua nova frigideira! Esperamos que você goste do sabor de papel e cola!
No final da década de 1980, as empresas começaram a testar esta filosofia colocando etiquetas adesivas em seus produtos. Por exemplo, eles começaram a vender frigideiras com um adesivo dentro dizendo: "Panela caseira da mamãe". À primeira vista, esse adesivo pode parecer algo inofensivo, feito apenas para identificar o produto e seu fabricante. Tão inofensivo que os clientes compravam as frigideiras despreocupadamente.

Então, ao chegar em casa, o comprador percebia que cada milímetro quadrado do adesivo estava grudado na frigideira com Super Bonder. Qualquer tentativa de tirar aquele adesivo resultaria na retirada de um pedacinho grande o suficiente pra entrar dolorosamente por baixo da sua unha. Então, para poder usar a frigideira, o consumidor teria de comprar um pouco de papel lixa e passar meia hora raspando o adesivo sob água corrente.

Durante alguns anos de tensão, os vendedores prenderam a respiração, esperando para ver se se a coisa ia ficar russa pra eles. Será que eles receberiam uma porrada de processos por lesões no dedinho da mão? Será que os consumidores iriam botar suas lojas abaixo e espancá-los até a morte com as frigideiras ainda cobertas por pedacinhos rasgados de adesivos?

Então, eles soltaram o fôlego. Nada aconteceu. Pela primeira vez, as empresas aprenderam como dizer Cquote1.png Foda-se Cquote2.png e receber como resposta Cquote1.png Obrigado, cara! Posso comprar outro? Cquote2.png.

[editar] Rótulos com advertências

"Certifique-se de dar uma pausa de 15 minutos a cada hora". As companhias de cigarros querem te fazer acreditar que você é tão idiota que não sabe quando precisa dar uma pausa. Dica: um vício em cigarros pode realmente te tornar esse tipo de idiota.
Alguns anos depois, as empresas tiveram outra idéia brilhante: por que não colocar rótulos com advertências levemente ofensivas nos produtos? A forma de pensar é mais ou menos assim: se pegarmos todos os nossos sachês de sílica gel e imprimirmos "SILICA GEL: NÃO INGERIR" neles, o que realmente estaremos dizendo é: Cquote1.png Obrigado por comprar nosso produto! Ah, e achamos que você é exatamente o tipo de retardado que vai querer comer sílica gel. Cquote2.png

A estratégia funcionou perfeitamente. Ela não necessariamente evitou que alguém comesse o sachê de silica gel (afinal, para salvar vidas atualmente é necessário mais que um simples "foda-se"), mas os consumidores passaram a exigir tais rótulos. Isso fez com que as empresas lançassem rótulos como: "Café. Cuidado: Quente!", "Atenção: ao entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar.", ou "Cuidado: não vire este cortador de grama de cabeça pra baixo e tente lambê-lo enquanto está ligado.".

Mas em nenhum outro lugar este conceito foi tão bem aplicado como no Japão, onde as empresas podiam usar rótulos realmente absurdos com ofensas quase explícitas - como, por exemplo, "Por favor, não use o tapete de dança em cima da tua irmã" ou "Cuidado: Pode não ser saudável se apegar emocionalmente a este cachorro-robô."

Infelizmente, o perigo desta estratégia tornou-se visível quando as companhias de cigarro americanas se uniram ao governo federal e criaram uma conspiração para chamar seus clientes de idiotas. Durante anos, os cigarros foram embalados em caixas com insultos - você puxava um cigarro e lia na caixinha a seguinte mensagem: "O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE: Puxa, você vai mesmo fumar isso? Você deve ser bem idiota." Infelizmente, as pessoas se sentiram tão ofendidas que abriram processos contra as companhias, alegando que elas os estariam forçando a comprar mais cigarros através de algum tipo de mensagem subliminar. Tornava-se necessário encontrar outras maneiras mais sutis de se dizer "foda-se" aos consumidores.

[editar] A embalagem de plástico impenetrável

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Só porque você comprou esses fones de ouvido, não significa que você pode usá-los.

No momento em que a modinha de usar rótulos ofensivos começava a ser abolida, a empresa Radio Shack criou um plano infalível para ferrar com seus clientes: embalagens de plástico impenetráveis. Elas eram chamadas "dispositivos antifurto", mas a Radio Shack começou a usá-las para embalar tudo - até mesmo aqueles fones de ouvido de R$ 1,99.

Isto foi incrivelmente engenhoso, pois possibilitava dizer Cquote1.png Foda-se Cquote2.png ao cliente de duas maneiras. Primeiramente, na loja, a embalagem dizia ao cliente: Cquote1.png Bem-vindo à Radio Shack! Nós achamos que você é exatamente o tipo de pé-rapado que iria querer roubar um fone de ouvido de 1,99! Cquote2.png

Mas não parava por aí; o "foda-se" continuava firme. Ao entrar em seus carros, os compradores tentavam abrir a embalagem com os dedos, sem obter sucesso. Eles acabavam quebrando as unhas. Eles tentavam abrir o plástico usando os dentes e cortavam a boca e as gengivas. Tentavam rasgar o plástico com as chaves do carro. Então, desistiam, iam para casa e usavam uma tesoura - para apenas entortá-la e quebrá-la no plástico. Eles só conseguiam abrir a embalagem usando uma peixeira ou uma serra elétrica - e geralmente, neste caso, o conteúdo acabava sendo danificado também.

Logo, muitos fabricantes também adotaram o modelo da Radio Shack: que jeito melhor de dizer "foda-se" ao cliente do que Cquote1.png Ei, valeu por comprar nosso produto! E não, você não pode usá-lo. Cquote2.png?

Logo surgiram variações do modelo. Por exemplo, os executivos da Sony perceberam que os CDs poderiam ser embalados de maneiras ridiculamente irritantes. Eles começavam inserindo um grande pedaço de plástico no meio do buraco do CD, que o prendia tão firmemente que qualquer tentativa de tirá-lo acabaria entortando-o ou até mesmo quebrando-o. Então, fechavam a caixinha com durex, e então, por cima desse durex, embrulhavam tudo em celofane. Pra completar, o CD vinha infestado com um vírus de computador que acabaria destruindo qualquer máquina em que ele fosse inserido, no caso - pouco provável - de o disco conseguir ser retirado com sucesso. Com isso, as chances de o consumidor poder ouvir as músicas que comprou se tornavam mínimas.

[editar] Produtos que ficam incompletos até que você compre mais alguma coisa

A idéia de deixar produtos incompletos até se comprar mais alguma coisa surgiu graças às lojas de brinquedos. Os donos das lojas perceberam que os fabricantes não estavam se esforçando o suficiente pra dizer Cquote1.png foda-se Cquote2.png às crianças. E que melhor jeito de se dizer Cquote1.png foda-se Cquote2.png às crianças do que fazê-las chorar no Natal? Daí surgiu a idéia dos produtos incompletos: eles vendiam briquedinhos eletrônicos fodásticos e, quando a criança abria a embalagem, percebia que não havia nenhuma pilha incluída e, por isso, o brinquedo não fazia porra nenhuma. E então, ela derramava lindas e doces lágrimas.

Infelizmente, os compradores começaram a perceber o truque e começaram a comprar as pilhas logo antes do Natal. Então, as fabricantes de brinquedos, tais como a Fisher Price, começaram a alterar suas táticas e passaram a incluir pilhas - às vezes pilhas demais. Dizer Cquote1.png Há, há! Vocês têm pilhas demais! Cquote2.png não era o melhor jeito de se dizer Cquote1.png Foda-se Cquote2.png, mas dava pro gasto.

A idéia se espalhou como um incêndio. Em poucos anos, aparelhos de videogame começaram a ser vendidos sem jogos. Câmeras digitais, sem cartões de memória. TVs de LCD, sem bases ou suportes. Calças de couro, sem a parte da bunda. Cada compra forçava o consumidor a fazer outra compra, um ciclo vicioso de "foda-se" do qual não havia escapatória.

[editar] Conclusão

O que será que o futuro reserva para este grande princípio? Bem, isso é algo impossível de se dizer, pois o tempo é linear e, por isso, o futuro ainda não aconteceu.

Obrigado por ter lido este artigo! Agora, foda-se.

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