Desentrevistas:Professor de Escola Pública

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Este artigo é parte do Desentrevistas, a sua coleção de fofocas informações sobre as pessoas famosas.

Depois da entrevista com um estudante de escola pública, hoje vamos entrevistar um professor que leciona numa escola pública da periferia de Rio Branco, capital do Acre.

Boa noite, professo...[editar]

Quanto eu vou ganhar pela entrevista? Eu poderia estar dando aula extraordinária agora para completar o meu orçamento. Tempo é dinheiro! Seu Emo!

Depois negociamos, certamente será mais do que o que você ganha dando aula, não se preocupe, e eu não sou Emo. Já que tocamos nesse assunto, quanto você ganha?[editar]

Pra resumir, eu quase não ganho porra nenhuma. me entende? Daí eu complemento a renda vendendo umas ervas pros alunos.

Agora me diga, como você virou professor?[editar]

No tempo do colegial, eu era um completo vagabundo, não queria saber de estudar e passava o tempo vandalizando a escola. Aí sem chance de passar no vestibular de Medicina, como queria o meu pai. Só me restou fazer para História, com seus 0,07 candidatos por vaga. Na faculdade eu aprendi a gostar da escola e depois de me formar eu comecei a dar aula.

Certo, e por que você dá aula numa escola pública?[editar]

Lá na faculdade, todos diziam que emprego público dá mais estabilidade, que professorzinho de escola particular só dá aula pra playboyzinho e é mandado embora quando tá perto de se aposentar. Aí fiz o maldito concurso público, passei três anos estudando pra prova e deixando de ter vida social. Eu estava crente de que seria chamado para o Colégio Militar ou o Cefet, só que eu acabei caindo numa escolinha na periferia.

E você não pensa em fazer outra coisa?[editar]

Ah, sempre penso em subir na vida, né, e arranjar um emprego um pouco mais decente, tipo gari, empacotador de supermercado ou vigia noturno, ser um entrevistador Emo da Desciclopédia (olhando para o entrevistador com ironia) ou até mesmo em trabalhar em uma boate noturna dando o cu. Sabe como é, né? Um trabalho que me dê um pouco mais de dignidade.

Pô, eu já falei: EU NÃO SOU EMO. Bem, voltando a entrevista, como é a sua escola?[editar]

Bom, ela tem um portão de aço todo marcado com balas de fuzil e é cercada por um muro eletrificado de 10 metros e com um fosso rodeando toda a extensão, com piranhas e crocodilos pra nenhum aluno fugir e não entrar bandido, e o muro está todo sujo de sangue, ao redor da escola há 4 altas torres vigiadas por policiais do BOPE, armados com fuzil 762. As salas de aula carecem de novas carteiras e as janelas estão quebradas...

Não, não, eu quero saber como são os alunos, professor[editar]

São uma beleza, meu caro boçal. Todo dia tem alguém que chega chapado na sala, pensando que estuda em Woodstock. Uma vez por semana alguém me diz que vai faltar pra ir visitar o pai na cadeia ou então pra ir no enterro de algum parente morto por traficantes. E um fato curioso é que todo ano eu começo com 180 alunos em cada sala e termino com 3 ou 4 no máximo. Normalmente são 4 meninos e 4 meninas, mas o ano sempre termina com 4 a 5 meninas porque as outras sempre ficam grávidas durante o ano e largam a escola. Eu mesmo já engravidei algumas... Já os garotos saem por razões diversas, a maioria vai pra Febem ou morre em tiroteio mesmo ou vira vagabundo sendo entrevistador da Desciclopédia.

Você já sofreu alguma ameaça na escola, professor?[editar]

Até que não neste dia, já me acostumei com os xingamentos escritos à bala na porta da sala dos professores. Veja a situação de um colega meu, ele foi dar uma pequena chamada de atenção em um dos alunos dele, e no outro dia ele sofreu um atentado e foi parar no cemitério. Já faz umas três horas que nenhum aluno é transferido por assassinar um professor, este dia tá tranquilo.

Pense bem, professor, com certeza deve haver situações bem piores que a sua[editar]

Exatamente, na verdade eu até penso que estou bem. Como eu sou concursado, ninguém pode me mandar embora, diferente de vocês de Desciclopédia que não fazem nada de útil na vida. Vocês aí não valem nem o cocô do cavalo do bandido, não ganham salário e perdem a auto-estima.

Muito obrigado pela entrevista, professor (O repórter sai da entrevista chorando e querendo se matar).[editar]

Vai se fuder seu EMO boçal.Chora mesmo! Crianção! (Professor mostrando toda sua educação e respeito por nosso repórter).

Olha quem eu encontrei! Um ex aluno seu quer falar com o senhor![editar]

Olha! É o Julinho! O cara que me odiava e virou assassino! Oi Julinh- (Barulhos de tiro)

Sinto muito mas o professor acabou de ser assassinado. Por hoje acabamos a desentrevista.[editar]