Deslivros:Crepúsculo

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Putácio[editar]

Eu nunca pensei muito sobre como eu iria foder - devido à minha feiura achei que eu nunca iria dar para ninguém, apesar dos acontecimentos dos últimos meses - mas mesmo que eu pensasse, eu não iria imaginar que fosse ser assim.
Eu encarei sem respirar através do longo aposento, dentro dos olhos escuros do estuprador, e ele olhou com tesão de volta pra mim. Com certeza essa foi uma boa forma de foder, de quatro no chão frio, no lugar da pessoa que eu amava. Bom, até que deve ser levado em conta pra alguma coisa. Eu sabia que se eu nunca fosse para Forks, eu não estaria chupando esse pau agora, não teria ficado toda molhadinha quando avistava alguém. Mas, excitada como eu estava, eu não podia me fazer lamentar a decisão de bruna surfistinha.

1. A primeira foda[editar]

Minha cafetina me levou ao aeroporto com as janelas abaixadas. Estava fazendo 24°C em Phoenix, e ela usou isso como desculpa para abaixar as janelas, pois a realidade era que ela queria expor a mim, seu produto, para ver se arranjava um último cliente antes de eu ser transferida de prostíbulo.
Estava vestindo minha camiseta preferida: sem mangas, de renda, colada ao meu corpo, mostrando tudo. Combinada com a minha minissaia e meus sapatos de salto agulha, com uma maquiagem pesada em meu horrendo rosto, não havia puta mais vulgar que eu.

Na Península Olímpica, no noroeste do estado de Washington, nos Estados Unidos, existe uma cidadezinha chamada Forks que está quase que constantemente coberta por nuvens. Nessa cidade desimportante chove mais do que em qualquer outro lugar do país. Foi dessa cidade que minha cafetina fugiu para fazer sua vida como prostituta em algum lugar onde pagassem mais. Era nessa cidade que eu era obrigada a passar todos os verões até completar 14 anos, pois meu pai (se é que era meu pai mesmo, afinal, minha cafetina tinha vários clientes além dele em Forks) morava lá.

Agora era em Forks que ia me exilar, algo que fiz com muito custo. Eu detestava Forks. Cidade velha e conservadora, escondida de potenciais clientes.
Eu amava Phoenix. Amava o sol e o calor escaldante que me permitiam usar roupas mínimas. Amava a putaria e cafetinagem desmedidas nessa cidade tão pública!

— Feya. — minha cafetina me disse - pela milésima vez - antes de eu entrar no avião. — Você precisa fazer isso.

Minha cafetina, pelo fato de ter me dado à luz, parece-se comigo, exceto pelo cabelo curto e pelo rosto atraente.

Senti um espasmo ao encarar os olhos maliciosos e bem maquiados dela. Como poderia deixar minha fogosa, cara e safada mãe-cafetina para manter aqueleputeiro sozinha? Claro, ela tinha o Phil agora, então as contas provavelmente seriam pagas, haveria comida na geladeira, gasolina no carro, e alguém para fazer propaganda de graça, mas ainda assim...

— Eu não quero ir! — Disse.

— Diz 'oi' para o Charlie por mim. - Segundo ela, ele foi o otário que melhor pagava o programa em Forks, e ainda assumiu a criança que, segundo as contas dela, podia ser dele ou de outros dois caras.

— Mas eu não quero ir!

— Querida, Forks é um bom lugar para começar clientela. Você ainda é iniciante, não vai se dar bem com a agitação de uma cidade como Phoenix. Precisa ir devagar. Verei você logo — ela insistiu. — Pode voltar pra casa quando tiver adquirido alguma experiência. Virei assim que você chamar.

Mas pude perceber o sacrifício em seus olhos, por trás da promessa.

— Não se preocupe comigo — eu pedi — Vai ser ótimo, apesar de preferir não abandonar nosso puteiro, mamãe.

Ela me abraçou apertado por um tempo e pôs um dinheirinho na minha minissaia, então entrei no avião e ela se foi com seu novo amante, Phil.

De Phoenix para Seatle o voo dura quatro horas, mais uma hora num pequeno avião até Port Angeles, e então uma hora de carro até Forks. O voo não me incomodava, já passar uma hora num carro com Charlie estava me preocupando.

Charlie estava sendo até legal sobre essa história toda. Ele parecia genuinamente feliz que eu iria morar com ele quase que permanentemente pela primeira vez. Ele já tinha me matriculado na escola e ia me ajudar a arranjar um carro.

Mas com certeza ia ser estranho morar com Charlie. Ele não ia gostar de saber que estou seguindo os passos de minha mãe rumo à prostituição.

Sabia que ele estava mais do que confuso com a minha decisão - como minha querida cafetina já havia feito antes de mim, eu nunca tinha escondido que não gostava de Forks.

Quando o avião pousou em Port Angeles, estava chovendo. Não achei que fosse um mau presságio, só era inevitável. Já tinha me despedido do sol.

Charlie estava me esperando no carro-patrulha. Já era de se esperar. Charlie é o Chefe de Polícia para os bons cidadãos de Forks. Meu motivo maior para comprar um carro, apesar da escassez dos meus rendimentos, coisa que pretendia mudar em Forks, era que eu me negava ser levada pela cidade num carro com luzes vermelhas e azuis em cima. Nada melhor pra fazer o trânsito andar devagar do que um policial.

Charlie me deu um abraço meio estranho, de um braço só, quando sai tropeçando do avião, pois o salto de meu sapato favorito quebrou.

— Bom te ver, Fey. — ele disse sorrindo, enquanto automaticamente me segurava para eu não cair. — Você não mudou muito. Como vai Renée?

— Mamãe vai bem. É bom te ver também, pai. — ele não me deixava chamá-lo de Charlie, dizia sentir-se um cliente.

Só tinha trazido algumas malas. A maior parte das roupas que usava no Arizona eram muito vulgares para se usar em Forks. Minha cafetina e eu tínhamos nos juntado para suplementar meu guarda-roupa com roupas mais respeitáveis, sem deixar de ser provocante, mas ainda tinha pouca coisa. Eu não me incomodava com isso. Quanto menos roupa melhor, esse é o lema de toda boa puta.

— Achei um bom carro para você, bem barato. — ele anunciou quando já estávamos no carro.

— Que tipo de carro? — achei suspeito a maneira como ele disse "carro bom para você", ao invés de só "carro bom".

— Bem, na verdade é uma caminhonete, um Chevrolet.

— Onde o achou?

— Lembra-se de Billy Black, de La Push? — La Push é a pequena reserva indígena na costa.

— Não.

— Ele costumava ir pescar conosco no verão. — Charlie ofereceu ajuda.

Isso explicaria porque eu não lembrava dele. Me dou bem em bloquear da minha memória coisas desnecessárias. Se não tivesse sido um cliente, não havia porque me lembrar.

— Ele está numa cadeira de rodas agora — Charlie continuou quando não respondi — então não pode dirigir mais, por isso se ofereceu para vender a caminhonete bem barato.

— De que ano é? — pude ver pela mudança de expressão que essa era uma pergunta que ele esperava que eu não fosse fazer.

— Bem, Billy trabalhou bastante no motor - só tem alguns anos.

— Quando ele comprou a caminhonete?

— Acho que foi em 1984.

— Era nova quando ele comprou?

— Na verdade, não. Acho que era nova no começo dos anos 60 - ou no fim dos 50, no máximo. — ele admitiu, envergonhado.

— Ch... pai, não sei muito sobre carros. Não saberia consertar nada se estragasse, e não poderia pagar um mecânico...

— Realmente, Feya, a coisa anda direito. Não fazem mais carros como aquele.

A coisa, pensei comigo mesma... era uma possibilidade - como apelido, no mínimo.

— Barato é quanto? — afinal, essa era a parte onde eu não podia abrir mão.

— Bem, querida, eu meio que já comprei ele pra você. Um presente de boas-vindas. — Charlie espiou para o meu lado, com uma expressão esperançosa no rosto.

Uau. De graça.

— Não precisava fazer isso, pai. Eu ia comprar o carro eu mesma.

— Eu não me importo. Quero que você seja feliz aqui. — Ele olhava em frente na estrada quando falou isso. Charlie não ficava confortável ao expressar suas emoções em voz alta. Eu herdei isso dele. Então olhava bem pra frente quando respondi.

— Isso foi muito legal, pai, obrigada. Fico muito agradecida. — não precisava adicionar que eu ser feliz em Forks era uma impossibilidade. Ele não precisava sofrer comigo. E eu nunca recusaria uma caminhonete de graça.

— Bem, então, de nada. — ele murmurou, envergonhado com o meu agradecimento.

Trocamos mais alguns comentários sobre o tempo, que estava molhado, e era isso em termos de conversa. Ficamos olhando pela janela em silêncio. Tudo era verde: as árvores, os troncos cobertos de musgo, os galhos pendurados formando uma cobertura, o chão coberto com plantas. Até mesmo o ar ficava meio verde ao passar pelas folhas.
Era muito verde - um planeta alienígena. Será que alienígenas pagavam bem?
Finalmente chegamos na casa do Charlie. Ele ainda vivia na casa pequena, de dois quartos, que ele comprara com minha cafetina logo se tornaram amantes.
Esse foi o único período do contrato deles. Ali, estacionada na rua em frente à casa que nunca mudara, estava minha nova - bem, nova para mim - caminhonete. Era uma cor vermelha desbotada, com uma grande cabina e enormes calotas. Para minha grande surpresa, eu amei. Não era um carro digno de uma puta do meu calibre. Era mais adequado a uma puta pobre, mas eu gostei. De graça, até injeção na testa. Ainda por cima, era uma daquelas coisas sólidas de ferro, que nunca se amassam - do tipo que se vê num acidente nem arranhada, circundada pelos pedaços do carro que ela tinha destruído.

— Uau, pai, adorei! Obrigada! — agora meu dia horrível que seria amanhã iria ser um pouco menos horroroso. Eu não precisaria escolher entre andar na chuva por mais de três quilômetros ou aceitar uma carona no carro-patrulha para chegar no colégio.

— Fico feliz que você tenha gostado. — Charlie disse, envergonhado de novo.

Só precisou uma viagem para levar todas as minhas coisas para o andar de cima. Fiquei com o quarto que tinha janela para o pátio da frente. O quarto me era familiar. Era meu desde que tinha nascido. O chão de madeira, as paredes azul claro, o teto curvado, as cortinas de renda já amareladas - tudo isso fez parte da minha infância. As únicas mudanças que Charlie tinha feito fora por eu ter crescido: mudou o berço por uma cama e colocou um escrivaninha. A cama era de solteiro, mas o colchão era macio. Serviria por enquanto, mas na primeira oportunidade trocaria por uma cama de casal. Podia me prostituir numa cama de solteiro, mas dependendo do cliente, não havia espaço numa cama de solteiro. A escrivaninha agora tinha um computador de segunda-mão, com o fio do telefone para a internet grampeada pelo chão até chegar na tomada de telefone mais próxima. Isso tinha sido estipulado por minha mãe-cafetina, para que eu não perdesse o contato com meus clientes. Havia somente um pequeno banheiro no andar de cima, o qual teria que dividir com Charlie.

Uma das coisas boas sobre Charlie é que ele não fica me cuidando. Ele me deixou sozinha para desfazer minhas malas e me ajeitar, uma coisa que seria completamente impossível para minha cafetina. Ela gostava de consultar o nível de vulgaridade com que me vestia para manter um padrão adequado à minha idade e ao tipo de clientes que eu possuía. Era bom poder estar sozinha e não ter que ficar sorrindo e parecer feliz. E era um alívio poder olhar com desânimo para a chuva na janela e deixar escaparem algumas lágrimas. Não estava afim de começar uma choradeira. Borraria minha maquiagem. Guardaria isso para a hora de dormir, quando fosse pensar na manhã que estava por vir.

A Escola de Forks tinha o aterrorizante total de apenas trezentos e cinquenta e sete - agora cinquenta e oito - alunos. Só no meu ano, lá em Phoenix, havia mais de setecentos alunos. Todos aqui tinham crescido juntos - seus avós tinham sido bebês juntos.

Eu seria a garota nova da cidade grande. Uma curiosidade, uma aberração. Eu não deveria me ressentir quanto a isso, pois é uma propaganda grátis de minha pessoa. Porém, talvez, se eu parecesse com uma garota de Phoenix, isso poderia ser uma grande vantagem. Mas fisicamente eu nunca me encaixaria em lugar algum. Eu deveria ser bronzeada, esportiva, loira - jogadora de vôlei, ou líder de torcida, talvez - essas coisas associadas ao vale do sol.

No lugar disso, eu tinha pele branca apesar do sol constante, sem nem ter a desculpa de ter olhos azuis ou cabelos ruivos. Sempre fora meio magra, mas nem tanto, obviamente não era atleta. Não tinha a coordenação motora necessária para praticar esportes sem me humilhar - e machucar a mim mesma ou qualquer um parado muito perto de mim.

Quando terminei de colocar minhas roupas no velho guarda-roupa de pinho, peguei minha bolsa de produtos de beleza e fui ao banheiro comunal para me lavar depois do dia de viagem. Olhei para meu rosto no espelho enquanto penteava meu cabelo embaraçado e úmido. Talvez fosse a luz, mas eu já parecia mais pálida, pouco saudável. Minha pele poderia ser bela - era bem clara, parecia transparente - mas tudo dependia da cor, e eu não tinha isso. Felizmente, meus clientes não se importavam com beleza, apenas com a habilidade, e isso eu tinha, pouco, mas tinha. Fora o fato que, em Phoenix, sendo todos bronzeados, minha pele clara era um grande atrativo para a clientela rica, que apreciava esquisitices como essa.

Não dormi bem naquela noite, mesmo depois de ter chorado tudo que precisava. Dormir à noite, no horário correto, era algo estranho para mim. Estava acostumada com as festas do nosso modesto bordel, festas animadas que duravam a noite inteira, onde entravam homens com carteiras cheias e necessidade de sexo e saiam homens de carteiras vazias e desejos saciados.

Cerração fechada foi tudo que consegui ver pela minha janela de manhã, e pude sentir a claustrofobia começada.

O café-da-manhã com Charlie foi um evento silencioso. Ele me desejou boa-sorte na escola. Eu agradeci, sabendo que as esperanças dele eram inúteis.

Boa-sorte tinha a tendência de me evitar. Charlie saiu primeiro, indo para o posto policial que era sua esposa e família. Depois que ele saiu, sentei à velha mesa quadrada em uma das três cadeiras que não combinavam entre si e examinei sua pequena cozinha, suas paredes com painéis escuros, armários amarelo brilhante, e piso de linóleo branco. Nada mudara. Minha mãe pintara os armários dezoito anos antes na tentativa de trazer alguma luz para a casa. Sobre a pequena lareira, na sala do tamanho de um lenço que ficava logo ao lado da cozinha, havia uma fileira de fotos. A primeira era uma da orgia de Charlie e minha mãe em Las Vegas, uma de nós três no hospital quando eu nasci, tirada por uma enfermeira prestativa, seguida de uma procissão de fotos escolares minhas até o último ano. Essas eram embaraçosas de se ver - teria que ver se convencia Charlie a colocá-las em outro lugar, pelo menos enquanto eu estivesse morando aqui.

Era impossível, estando nessa casa, não perceber que Charlie nunca tinha superado minha mãe. Isso me fazia ficar desconfortável. Eu não queria chegar cedo demais na escola, mas não podia ficar mais na casa. Vesti meu casaco - que me fazia sentir como numa roupa antinuclear, que saudade de minha minissaia! - e sai para a chuva.
Ainda chuviscava, mas não o suficiente para me molhar muito enquanto procurava pelas chaves da casa que sempre ficavam escondidas nas plantas perto da porta e a trancava. O barulho das minhas novas botas à prova d'água era irritante. Sentia falta do barulho normal de salto batendo no piso encerado das grandes casas de prostituição em que fazia estágio, vez ou outra, enquanto caminhava. Não pude parar para admirar minha nova caminhonete grátis como queria. Estava com pressa para sair da névoa molhada que rondava minha cabeça, borrava minha maquiagem e se grudava no meu cabelo por baixo do capuz.

Dentro da caminhonete estava seco e bom. Obviamente, Billy ou Charlie tinham limpado o carro, mas os assentos ainda cheiravam vagamente à tabaco, gasolina e menta. O motor ligou rápido, para meu alívio, mas bem alto, ganhando vida ruidosamente e então chegando ao volume máximo.

Bom, uma caminhonete velha assim tinha que ter um defeito. O rádio velho funcionava, uma vantagem que eu não esperava.

Achar a escola não foi difícil, apesar de nunca ter estado lá antes. Ela ficava, assim como a maioria das coisas, bem perto da estrada. Não era obviamente uma escola, foi o painel, onde dizia "Escola de Forks", que me fez parar. Parecia uma coleção de casas geminadas, construídas com tijolos marrons. Havia tantas árvores e moitas que não pude perceber seu tamanho logo no início. Onde estava a aparência de lugar público? Me perguntava nostalgicamente. Onde estavam as cercas e os detetores de metais? Onde estavam os "aviões" vendendo drogas pro pessoal na frente da escola? Onde estavam os garotos de pau grande e cabeça vazia que ficavam na frente da escola?

Estacionei em frente ao primeiro prédio, onde havia uma pequena placa que dizia "secretaria". Não havia mais carros estacionados ali, então tive certeza de que era proibido, mas decidi que pegaria instruções lá dentro ao invés de ficar andando em círculos na chuva como uma idiota. Saí a contragosto da caminhonete quentinha e fui por um caminho de pedra circundado por uma sebe escura. Respirei fundo antes de abrir a porta.

Lá dentro estava bem iluminado e bem mais quente do que imaginava. A secretaria era pequena, com uma pequena sala de espera com cadeiras dobráveis, carpete laranja, avisos e prêmios abarrotados pelas paredes e um grande e ruidoso relógio. A sala era partida ao meio por um grande balcão, cheia de cestas de arame repletas de papéis e anúncios coloridos colados na parte da frente. Havia três mesas atrás do balcão, uma delas ocupada por uma mulher ruiva e grande, usando óculos. Elka me lambrava uma das meninas do nosso bordel. Ela vestia uma camiseta roxa, que imediatamente me fez sentir com roupas demais. Devia ter trazido roupas menores.

A ruiva olhou para mim. — Posso ajudá-la?

— Sou Lafeya Pato — informei-lhe, e vi seus olhos demonstrarem reconhecimento imediato. Eu era esperada, tópico de fofocas, com certeza. A filha da ex-amante do chefe de polícia finalmente vai morar com o suposto pai.

— Claro — ela disse. Ela percorreu uma pilha precária de documentos em sua mesa até achar os que procurava. — Seu horário está aqui, e um mapa da escola. — Ela trouxe várias folhas até o balcão para me mostrar.

Ela me ditou todas as minhas aulas, mostrando-me no mapa a melhor maneira de chegar até elas, e me deu um papel para que todos os professores assinassem, que deveria trazer de volta no fim do dia.

Ela sorriu para mim e desejou, como Charlie, que eu gostasse de Forks. Dei um radiante sorriso falso em resposta. Ao viver a vida inteira em um bordel, você aprende a sorrir e demonstrar animação mesmo estando infeliz, mal-humorada, e totalmente desanimada.

Quando cheguei de volta na caminhonete, outros alunos começavam a chegar. Fui atrás do tráfego, contornando a escola. Fiquei riste ao constatar que a maior parte dos carros eram velhos como o meu, nada muito chique, ou seja, seria difícil achar alguém que pudesse pagar o programa. Em Phoenix eu morava no bordel, num dos poucos bairros de classe baixa que estavam incluídos no Distrito Paradise Valley. Era comum ver um Mercedes ou Porsche novo no estacionamento dos alunos, por isso, clientela com dinheiro era o que não faltava. O carro mais legal aqui era um brilhante Volvo, que se sobressaia. Provavelmente, seu dono teria dinheiro o suficiente para requisitar meus serviços.

"Posso fazer isso, posso passar uns dias sem fazer programa.", Menti muito mal para mim mesma. Era doloroso constatar que ninguém ia me comer.

Minha maquiagem havia borrado devido à umidade, então fiquei com o rosto coberto pelo capuz enquanto caminhava até a calçada, cheia de adolescentes. Meu casaco preto e simples não se destacava na multidão, percebi com desespero.

Assim que cheguei no refeitório era fácil de ver o prédio três. Um grande "3" estava pintado num quadrado branco no casto leste do prédio. Senti minha respiração acelerar cada vez mais enquanto me aproximava da porta. Tentei segurar minha respiração enquanto seguia duas capas de chuva unisex através da porta.

A sala de aula era pequena. As pessoas na minha frente pararam assim que entraram na sala para pendurar seus casacos numa longa fileira de ganchos. Fiz o mesmo. Eram duas garotas. Uma loira com pele de porcelana, outra, também com a pele clara, tinha cabelos castanho claro.

Infelizmente, a minha pele não se destacaria aqui.

Levei o papel para o professor, um homem alto e calvo. Sua mesa tinha uma placa que o identificava como Sr. Mason. Ele ficou me olhando assim que leu meu nome - o que me fez pensar que ele poderia ser um cliente em potencial - e lógico que lhe dei em sorriso levemente provocante, enquanto desejava ter podido retocar minha maquiagem. Ele me mandou sentar numa cadeira vazia no fundo da sala sem me apresentar à turma. Era mais difícil arrumar clientes assim, pois meus colegas não conseguiriam me encarar enquanto eu estava no fundo da sala, mas de alguma forma eles conseguiram. Fixei meu olhar na lista de leitura que o professor tinha me dado. Era bem básica: Brontë, Shakespeare, Chaucer, Faulkner. Não havia lido nenhum. O único livro que já li na vida foi o Kama Sutra.

Quando bateu o sinal, um garoto meio desajeitado, alto, com problemas de pele e cabelo preto como carvão se encostou no batente da porta para falar comigo.

— Você é Lafeya Pato, não é? — ele parecia do tipo muito prestativo, parte do clube de xadrez. Não parecia ser do tipo que me pagaria algum serviço, mas mesmo assim fui simpática com ele.

— Feya — corrigi. Todo mundo em volta se virou para me olhar.

— Onde é sua próxima aula? — ele perguntou.

Precisei olhar na mochila. — Hm, Governo, com o professor Jefferson, no prédio seis.

Não havia para onde olhar sem encontrar olhos curiosos.

— Estou indo para o prédio quatro, posso te mostrar o caminho... — definitivamente muito prestativo. E parecia estar interessado! — Sou Eric. — Ele adicionou.

Lhe dei um grande sorriso. — Obrigada.

Pegamos nossos casacos e saímos para a chuva, que tinha ficado mais forte.

Andamos de volta ao redor do refeitório, em direção aos prédios que ficavam no sul, ao lado do ginásio. Eric me levou até a porta, apesar de estar bem claro que aquele era o prédio.

— Bem, boa sorte. — Ele disse enquanto eu alcançava a maçaneta. — Talvez tenhamos outras aulas juntos. — Ele soava esperançoso.

Sorri vagamente para ele, afinal, ele não tinha dinheiro o suficiente para uma garota como eu, e entrei.

O resto da manhã passou da mesma maneira.

Depois de duas aulas, comecei a reconhecer muitos dos rostos em cada uma delas. Sempre havia aqueles que eram mais corajosos e vinham se apresentar e me perguntar se estava gostando de Forks. Tentei ser diplomática, mas o que mais fiz foi mentir bastante. Pelo menos não precisei usar o mapa.

Uma garota sentou do meu lado em ambas Trigonometria e Espanhol, e foi comigo até o refeitório na hora do almoço. Ela era bem baixinha, com vários centímetros do que os meus 1,65m, mas o cabelo escuro e encaracolado ajudava a balancear nossa diferença de alturas. Não conseguia lembrar o nome dela, então eu sorria e balançava a cabeça enquanto ela discorria sobre os professores e sobre as aulas. Não tentei acompanhar a conversa.

Sentamos no final de uma mesa cheia dos amigos dela, os quais ela me apresentou. Esqueci os nomes assim que ela os disse. Eles pareciam impressionados com a coragem dela para falar comigo. O garoto do Inglês, Eric, acenou para mim do outro lado do refeitório.

Foi ali, sentada no refeitório, tentando conversar com vários estranhos curiosos, que eu os vi pela primeira vez.

Eles estavam sentados num canto do refeitório, o mais longe possível de onde eu estava. Eram cinco. Não conversavam e não comiam, apesar de cada um deles ter uma bandeja intocada de comida na sua frente. Eles não estavam me encarando, como a maior parte dos outros alunos, então era seguro ficar olhando para eles sem ter medo de encontrar um par de olhos excessivamente interessado. Mas não foi nenhuma dessas coisas que chamou, e prendeu, minha atenção.

Eles não se pareciam em nada. Dos três garotos, um era grande - musculoso como um levantador de peso profissional, com cabelo escuro e encaracolado. Outro era alto, mais magro, mas ainda musculoso, e com cabelo loiro escuro. O outro era mais magro, menos musculoso, com cabelo cor de bronze, meio bagunçado. Ele parecia mais jovem do que os outros, que pareciam que poderiam estar na faculdade, ou até mesmo serem professores ao invés de alunos. Os dois primeiros pareciam cafetões, já o último parecia uma bicha.

As garotas eram opostos. A mais alta era maravilhosa. Ela tinha uma silhueta linda, do tipo que se vê na capa da revista Sports Illustrated, na edição de roupas de banho, e daquelas que fazem as outras garotas se sentirem mal consigo mesma só por estarem na mesma sala. O cabelo dela era dourado, balançando até o meio das costas. Ela tinha cara de prostituta cara. A outra garota era mais baixa e parecia uma fadinha. Bem magra, com feições pequenas. O cabelo dela era totalmente preto, cortado curtinho e apontando para todas as direções. Prostituta pobre.

E ainda assim, eles se pareciam muito. Todos eram muito pálidos, os mais pálidos de todos os alunos dessa cidade sem sol. Todos tinham olhos bem escuros, apesar da diferença na cor dos cabelos. Além disso, eles tinham olheiras - sombras arroxeadas, como machucados. Como se todos eles tivessem passado a noite em claro, ou quase se recuperando de ter o nariz quebrado. Isso causa uma tremenda desvalorização do produto.

Mas não era por causa de tudo isso que não conseguia tirar os olhos deles. Eu os olhava por que seus rostos, tão diferentes, tão iguais, eram todos devastadoramente, inumanamente vulgares. Eram rostos que você nunca espera encontrar além de, talvez, nas páginas editadas de uma revista pornográfica. Era difícil decidir quem era o mais vulgar - talvez a perfeita loira, ou a bicha louca de cabelos cor de bronze.

Estavam todos olhando para longe - longe um dos outros, longe dos outros alunos, longe de qualquer coisa em particular que eu pudesse ver. Enquanto eu olhava a garota mais baixa levantou com a bandeja - o refrigerante fechado, a maçã inteira - e foi embora com um passo rápido e gracioso que deveria estar em uma passarela. Eu fiquei olhando, maravilhada com o poencial de prostituta de sucesso dela, até ela largar a bandeja e sair pela porta de trás, mais rápido do que eu imaginava ser possível. Meus olhos voltaram logo para os outros, que estavam lá, sem mudanças.

— Quem são eles? — perguntei à garota da aula de espanhol, de quem eu não lembrava o nome.

Enquanto ela olhava para ver de quem eu estava falando - apesar de já saber, provavelmente, por causa do meu tom de voz - de repente ele olhou para ela, o traveco, o mais gay de todos, talvez o mais jovem. Ele olhou para a garota do meu lado por só uma fração de segundo e então seus olhos escuros e maquiados de emo se dirigiram aos meus.

Logo, para minha fúria, ele desviou o olhar, desprezando o produto.

A garota do meu lado riu envergonhada, olhando para a mesa, sem jeito.

— Aqueles são Merdward e Emmettido Cullambido e Putalie e Gozer Vara. A que foi embora é Patticy Cullambido. Todos vivem juntos com o Dr. Cullambido e a esposa dele. — Ela falou isso meio entre os dentes.

Olhei meio de lado para a bicha louca, que agora olhava para a bandeja dele, picando um pãozinho com dedos pálidos e longos, pintados com esmalte vermelho.

Nomes estranhos e pouco populares, eu pensei. Os tipos de nomes que avós tinham. Mas talvez fosse moda aqui - nomes de cidade pequena?

Finalmente lembrei que a garota ao meu lado se chamava Jelessbica, um nome perfeitamente comum. Havia duas garotas chamadas Jelessbica na minha aula de História da Prostituição, em Phoenix.

— Eles são... muito bonitos. — lutei contra a óbvia falta de intensidade do que disse.

— Sim! — Jelessbica concordou dando outro risinho. — Mas eles já estão juntos - Emmettido e Putalie, e Gozer e Patticy. E moram juntos. — A voz dela continha todo o choque e reprovação de uma cidade pequena, pensei criticamente. Ia ser difícil exercer minha profissão aqui.

— Quais são os Cullambidos? — perguntei — Eles não se parecem...

— Ah, mas não são. O Dr. Cullambido é bem jovem, tem uns 20 ou 30 e poucos. São todos adotados. Já os Vara são irmão e irmã, gêmeos - são os loiros - e vivem com eles.

— Eles não são um pouco velhos pra isso?

— Agora sim, Gozer e Putalie já têm dezoito anos, mas vivem com a Sra. Cullambido desde que tinham oito. Ela é cafetina deles ou algo assim.

— Isso é bem legal.

— Acho que sim. — Jelessbica admitiu relutantemente, e fiquei com a impressão de que ela não gostava do doutor e da esposa dele por algum motivo. Com os olhares que ela dava na direção deles, imaginei que o motivo fosse inveja. Ela deveria querer ser puta também.

— Mas acho que a Sra. Cullambido não pode ter filhos. — ela disse, como se isso diminuísse a vulgaridade deles.

Durante toda essa conversa, meus olhos iam e voltavam para a mesa onde a estranha turma do bordel local estava sentada.

— Eles sempre moraram em Forks? — perguntei. Com certeza eu os teria notado em algum dos meus verões aqui.

— Não. — ela disse num tom de voz que implicava que isso era óbvio, até alguém recém chegado como eu deveria saber. — Eles vieram para cá dois anos atrás, vindos de algum lugar no Alasca.

Senti uma onda de compaixão, e alívio. Compaixão porque, apesar de serem prostituídos, eram de fora, claramente não eram aceitos. Alívio porque eu não era a única prostituta nova na cidade, e certamente a mais interessante. A Filha do Chefe de Polícia!

Enquanto eu os analisava, o mais novo, um dos Cullambidos, olhou para mim e nossos olhos se encontraram, dessa vez com uma expressão evidente de curiosidade. Enquanto eu esquivava meu olhar, me pareceu que no dele havia alguma expectativa não alcançada.

— Qual deles é a bicha louca? — perguntei.

Espiei com o canto do olho e ele ainda me encarava, mas não como os outros alunos tinham feito durante todo o dia - a expressão dele era meio enojada. Olhei para baixo novamente.

— Aquele é Merdward. Ele parece bom, lógico, mas não perca tempo. Ele não namora. Ele é gay. — ela disse.

Mordi o lábio para esconder um sorriso, e então olhei para ele novamente.

Seu rosto estava virado para o outro lado, mas me pareceu, pelos músculos do rosto, que ele sorria também.

Após mais alguns minutos os outros quatro deixaram a mesa juntos. Todos eram notoriamente graciosos - até mesmo o grandalhão. Essas demonstrações públicas de homossexualismo eram algo desconcertante de se observar. O que se chamava Merdward não olhou para mim novamente.

Quando entrei na sala de aula, todas as mesas estavam ocupadas, com a exceção de uma. Ao lado da fileira do meio, reconheci Merdward Cullambido por seu cabelo peculiar, sentado ao lado da única cadeira vazia.

Enquanto fui até o professor para me apresentar e pedir para que ele assinasse o papel de cliente regular, secretamente observava Merdward. No momento em que passei, ele ficou duro. Hum... Parece que ele ainda tem esperança de conversão para heterossexual. Ele me encarou novamente, seus olhos encontraram os meus com a mais estranha das expressões em seu rosto - era hostil, furiosa, e cheia de tesão.

O Sr. Banner assinou meu papel e me entregou um livro cheio de besteirol. Pude prever que nos daríamos bem. Dei a Merdward meu sorriso mais provocante e sentei ao lado dele, feliz com o olhar malicioso que ele tinha me dado.

Merdward estava se inclinando para longe de mim, sentado bem na ponta da cadeira e virando a cara como seu eu tivesse cheiro ruim. Discretamente, cheirei meu cabelo. Tinha cheiro de morangos, que era o perfume do meu xampu preferido. Parecia um cheiro inocente demais, mas tudo bem. Deixei meu cabelo cair sobre meu ombro direito, criando uma cortina escura e sedutora entre nós, e tentei prestar atenção no professor. Ele não era bonito, mas uma boa puta não julga seus clientes pela beleza e sim pelo dinheiro, e esse professor não aparentava ter o suficiente para meus padrões... De qualquer forma, ninguém naquela cidade parecia ter, então não daria para julgar pelo dinheiro, apenas pela beleza, ou seja, esse professor era uma carta a menos no meu baralho de opções.

De vez em quando, durante a aula, olhava sedutoramente para a bicha louca a meu lado, através da cortina de cabelo. Durante a aula toda ele não relaxou de posição, sentado na ponta da cadeira, o mais longe possível de mim. Pude ver que sua mão sobre a perna esquerda estava em punho, os tendões se destacando sob a pele clara de porcelana. Também não relaxou a mão sequer uma vez. As mangas da sua camisa branca estavam puxadas até os cotovelos, e seu braço era surpreendentemente musculoso. Ele não era tão frágil quanto parecia quando comparado com o irmão.

Ele estava tão imóvel que parecia que não respirava. Qual era o problema dele? Será que isso era o comportamento normal dele?

Não poderia ser comigo. Ele nunca tinha me visto na vida.

Espiei de novo e me arrependi. Ele estava me olhando novamente, seus olhos negros cheios de repulsa. Então me dei conta de qual era o problema. Ele era tão gay que não suportava a visão de uma mulher. Será que eu me enganei ao imaginar que ele ainda tinha salvação? Será que me enganei ao pensar que poderia transformá-lo em homem?

Naquele momento o alarme bateu alto, me assustando, e Merdward Cullambido já tinha se levantado. Ele era muito mais alto do que tinha imaginado, e de costas para mim ele se foi graciosamente, como uma bailarina. Antes que qualquer um dos outros estivesse de pé, ele já tinha saído pela porta.

Fiquei congelada no lugar, olhando para ele. Ele era muito gay.

— Você não é Lafeya Pato? — perguntou uma voz masculina.

Olhei para ver um garoto bonitinho, com cara de bebê, o cabelo loiro claro cuidadosamente moldado com gel, sorrindo para mim de um jeito amigável.

Ele, com certeza, não achava que eu era uma prostituta feia.

— Feya. — corrigi com um sorriso provocante.

— Sou Mike.

— Oi, Mike.

— Precisa de ajuda pra encontrar sua próxima aula?

— Na verdade, estou indo para o ginásio. Acho que consigo achá-lo.

— Essa é minha próxima aula também. — ele parecia excitado, como se nunca tivesse se encontrado com uma puta antes. Isso era desanimador por um ângulo, mas maravilhoso por outro. Significava que não seria difícil arranjar clientes, mas eles não seriam experientes.

Fomos para a aula juntos. Ele era um conversador - ele falava bastante, o que facilitava para mim. Era só sorrir e concordar. Ele tinha morado na Califórnia até os dez anos, então ele me entendia com relação ao sol. E ele estava na minha aula de inglês também. Ele era o possível cliente de quem eu mais gostei.

Mas enquanto entrávamos no ginásio ele perguntou:

— Então, você fincou o lápis no Merdward Cullambido ou o quê? Nunca o vi agir assim.

Decidi fazer "cú doce".

— Era o garoto sentado do meu lado em biologia? — perguntei fingindo uma ingenuidade que eu não possuía.

— Sim. — ele disse — Parecia que ele estava com dor ou algo parecido.

— Não sei. — respondi, fazendo biquinho — Nunca conversei com ele.

— É um cara estranho. — Mike ficou por ali ao invés de ir para o vestiário. — Se eu tivesse tido a sorte de sentar do seu lado, teria conversado com você.

Sorri sedutoramente para ele antes de ir para o vestiário das meninas. Ele era legal e claramente se interessou por mim. Muito bom para meu primeiro dia!

Jogaram vôlei aquele dia. Para não amarrotar minhas roupas, não joguei.

O sinal tocou finalmente. Fui lentamente até a secretaria para entregar minha papelada. Eu sou uma prostituta de carteira assinada e reconhecida legalmente. A chuva tinha parado, mas o vento estava mais forte e mais frio. Me enrolei mais nas roupas, odiando o clima de Forks. Como expor meu horrível corpo nesse frio?

Quando entrei na quente secretaria, quase me virei e saí de novo.

Merdward Cullambido estava parado à mesa logo na minha frente. Novamente reconheci aquele cabelo cor de bronze e desarrumado, de bicha relaxada. Ele pareceu não perceber a minha entrada. Me encostei na parede, esperando a recepcionista poder me atender.

Ele estava conversando com ela numa voz baixa e atraente. Ela estava com o dedo na boca, sedutoramente. Logo peguei o motivo da conversa: ele queria trocar o período da aula de biologia para outro horário, qualquer outro.

Não podia acreditar que era por minha causa. Tinha que ser outra coisa, algo que acontecera antes de eu entrar na sala. A expressão em seu rosto tinha que ser por outro motivo. Era impossível que esse estranho tivesse me detestado tanto assim, tão subitamente.

A porta abriu novamente, e o vento frio entrou de repente, levantando os papéis sobre a mesa, jogando meu cabelo sobre meu rosto. A garota que entrara simplesmente chegou na mesa, colocou um bilhete na cesta de arame e saiu novamente. Mas Merdward Cullambido ficou duro e se virou lentamente para me olhar - o rosto dele era absurdamente feio, mas atraente, como algo proibido, sempre atrai - com olhos fulminantes e cheios de ódio mesclado com tesão profundo. Por um instante senti puro medo, levantando os pêlos de minhas axilas. Então senti tesão. Muito. O olhar só durou um segundo, mas me excitou mais do que uma rodada de pornografia pesada. Ele se virou novamente para a recepcionista.

— Deixa para lá, então. — ele disse apressadamente com uma voz aveludada, super bichosa. — Vejo que é impossível. Muito obrigado pela ajuda. — se virou sem olhar para mim de novo e saiu pela porta.

Fui calmamente até a mesa, meu rosto branco ao invés de vermelho, e entreguei o papel assinado.

— Como foi seu primeiro dia, querida? — a recepcionista perguntou, puta da vida que interrompi os dois.

— Bem. — menti com a voz fraca. Ela não pareceu convencida.

Quando cheguei na caminhonete, era praticamente o último carro no estacionamento. Peguei meu caminho de volta para a casa do Charlie, pensando nos acontecimentos do dia.